Nova série Netflix para breve
Depois de terminado o
último livro de que falei aqui fui de mini-férias para o País Basco e confesso
que entre voltar ao trabalho e ir de férias outra vez interrompi o ciclo de
leituras. Entretanto, chegou agosto e fui remodelar a cozinha, estava com a
cabeça noutras coisas. Não li nada este verão.
Mas depois, o gostoso do meu marido leu ou lembrou-se de que tinha lido uma critica ou no Expresso ou no Público sobre uma história de ficção científica de um autor chinês, vencedor do Prémio Hugo, que andava aí super badalado. O facto de ser um autor chinês interessou-me porque não é todos os dias que vemos best sellers desta categoria no Ocidente.
Ainda para mais, na contracapa diz: “Por iniciativa dos produtores de A Guerra dos Tronos, David Benioff e D. B. Weiss, O Problema dos Três Corpos será brevemente adaptado a série Netflix”. Cool! Bora lá ler O Problema dos Três Corpos, pensei eu no início de setembro.
A trama começa com a
revolução cultural chinesa (1966-1976). O primeiro capítulo descreve uma batalha
entre a União Vermelha e a Brigada 28 de Abril. Está escrito de uma maneira
poética que me fez lembrar o filme O Tigre e o Dragão, especialmente a parte em
que uma jovem da Brigada, de silhueta delgada, é morta ao tentar içar a
bandeira da sua guarnição e cai do topo de um edifício, flutuando, cravejada de
balas inimigas, até ao chão. Toda a cena descreve uma imagem delicada num
cenário de guerra, que achei bonita e fiel à estética chinesa. Portanto começa bem.
Trinta e oito anos depois começam
a ocorrer uma série de suicídios de cientistas ligados a um certo projeto de
uma certa organização chamada Fronteiras da Ciência e é aí que o protagonista,
um físico teórico, se vê abordado pela polícia para integrar a organização e
recolher informações de modo a tentar perceber porque estão a ocorrer tantos
suicídios no meio académico. A princípio tenta recusar a intimação, mas depois
descobre que uma das suas paixões antigas é uma das vítimas. Isso e o facto de,
de um momento para o outro, começar a ver coisas, mais propriamente um
temporizador em contagem decrescente, fá-lo entrar num jogo online, chamado O
Problema dos Três Corpos, no qual o objetivo é descobrir porque razão os
movimentos do Sol do planeta virtual não obedecem às regras do mundo
real. O problema é bastante complexo até porque o planeta virtual tem três
corpos celestes que o regem em vez de um.
Cada vez que ele entra no
jogo tem de interagir com personagens históricas como Copérnico, Galileu,
Newton, entre outros, que vão contribuindo com soluções para desvendar a
estrutura básica do universo, ou seja, as leis que o regem. E cada vez que a
solução falha o jogo acaba, destruindo a civilização virtual, e é necessário começar
outra vez. A páginas tantas, sem uma solução encontrada, o objetivo do jogo torna-se
partir para o universo à procura de um novo lar para a humanidade. E logo a
seguir descobre-se que esse é também o objetivo do tal projeto da Fronteiras da
Ciência que emite mensagens para o espaço na espectativa de comunicar com vida
extraterrestre com o intuito de salvar a humanidade. Confuso? Eu também achei.
Com esta leitura confirmei
que não gosto de ficção científica. É demasiado irreal e por isso tenho
dificuldade em me identificar com a história ou criar uma ligação emocional com
os personagens. Mas tenho imensa curiosidade em ver a série Netflix quando
sair. Espero que os produtores consigam transmitir algo de fantástico que eu
não conseguir ver.
Entretanto, o meu marido viu-me tão desmotivada que um dia chegou a casa com o mais recente livro do Miguel Sousa Tavares, um dos meus autores portugueses preferidos. Foi uma boa surpresa. Li num instante, mas sobre este livro falarei noutra altura.




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